Almanaque do banheiro: Papo de vagina

Uma leitora escreveu dizendo que tem cistos sebáceos vaginais, e eu, que nunca tinha ouvido falar nisso, fui pesquisar no livro Women’s bodies women’s wisdom, da Christiane Northrup, MD. Não achei os cistos mas me deparei com esta pérola:

“A cultura ocidental considera a área genital ‘suja’ e a polui com essa atitude. Toda função associada a essa área – parto, sangramento e eliminações – é altamente carregada, emocional e psicologicamente. (…) Desde cedo capturamos a ideia de que essa região é diferente das outras do corpo: tabu, suja, desprezível. (…) Um jovem médico, a uma paciente que se tratava de infecção por fungos, disse: A vagina da mulher é uma lixeira.

“A promoção e a venda de desodorantes íntimos, inclusive em tampões e absorventes, dão à mulher a impressão de que a vagina em estado natural é inaceitável, de que precisa ser desinfetada e desodorizada.

“A mucosa vaginal e cervical saudável oferece à mulher proteção contra as doenças sexualmente transmitidas, inclusive aids; por isso é tão importante mantê-la sadia. O primeiro passo que uma mulher deve dar é atualizar o que pensa sobre essa área do corpo.”

O momento de menor imunidade da mucosa vaginal é durante e em torno da menstruação, diz ela; daí ser comum surgirem infecções vaginais nesse período. Sem falar vulnerabilidade da mucosa quando há muito sexo, já que o movimento geralmente faz pequenas lacerações na vagina, na vulva e no clitóris; se houver sêmen, o pH vai ficar mais alcalino por 8 horas, tempo suficiente para que pululem os micróbios geralmente inibidos pela acidez peculiar à vagina; se houver penetração anal e depois vaginal, a contaminação é quase certa; se houver sexo oral, restinhos de bacalhau, café e mousse de chocolate vão deixar bactérias e fungos completamente loucos.

Também é erradíssimo usar o papel higiênico de trás para a frente depois de evacuar – tem que ser de trás para trás. E, ao enxugar xixi, não é para esfregar o papel, basta encostar para que ele absorva o excesso. A vulva, nome da região íntima que inclui entrada da vagina e da uretra, clitóris e pequenos lábios, é uma pessoa sensível. Nem sabonete deve chegar ali: só e somente água, abundante. Viva o bidê! Viva a duchinha ao lado do vaso!

O que se pode fazer nessas situações: ducha higiênica com vinagre – 1 colher sopa em meio litro de água morna, filtrada ou fervida, para normalizar o pH da vagina (comprar o aparelho em casa de material hospitalar), e aplicação de óvulos de calêndula ou de hydrastis durante algumas noites, depois da menstruação, para limpar os resíduos de sangue e células do endométrio (farmácia homeopática).

Detalhe: se a mucosa vaginal estiver irritada, melhor usar óvulos do que ducha, para evitar mais atrito. E só usar ducha ou qualquer outra coisa se for realmente necessário. Em situações normais, a vagina é autolimpante.

 Se a vaginite for recorrente, é bom consultar uma médica homeopata para entender melhor o que está acontecendo. Olho vivo: vagina em dia é cor-de-rosa e cheira bem.

ilustração Cristina Tati

8 comentários em Almanaque do banheiro: Papo de vagina

  1. Querida, procure um profissional de saúde. Suas questões não são para blog. Pode haver uma infecção que precisa ser tratada antes que se agrave. Um abraço!

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  2. Boa tarde, Sonia! Acabo de ler vários dos comentários postados e seus pontos de vista sobre cada dúvida. Adorei, mesmo porque havia conversado ontem mesmo sobre a relação entre o aspecto emocional e o aspecto físico. Assim sendo, aproveito para expor minha dúvida: tenho tido sintomas de candidíase, digo, são alguns sintomas (a coceira, ardência e a vermelhidão na vulva, apenas)… Não tenho corrimento e a vagina propriamente dita não está comprometida. Há três fiz um tratamento longo para cândida, tomei vitamina C, inclusive e os sintomas desapareceram; no entanto, todo mês, alguns dias antes do período menstrual, a “assadura” retorna, apenas ela, sem corrimento ou sintomas na vagina, apenas na vulva. Isso é candidíase mesmo ou há outra condição relacionada? Agradeço! Abraços…

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  3. Sônia, meu nome é Beatriz e o tratamento a que me referi foi realizado há três meses… Abraços!

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  4. Beatriz, onde houver excesso de umidade vão prosperar os fungos, e há alimentos e circunstâncias que aumentam a umidade, permitindo que a cândida prospere. Pode ser o seu caso. Ou não, pode ser outra coisa. Leia mais em http://www.candidiaseapraga.blogspot.com . Um abraço!

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  5. PS – Na dúvida, sempre é bom consultar um/a profissional de saúde.

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  6. Olá, Sônia

    Obrigada por compartilhar seu conhecimento. Você diz que xota saudável é cheirosa e cor de rosa. Bem, a minha é cheirosa, mas a cor é mais escura que o restante da pele do meu corpo, que é morena clara. O que isso quer dizer? O que fazer para harmonizar os tons?
    Obrigada pela atenção,
    Beijos.

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  7. Oi sonia sou virgem, sofro com um forte odor de cebola na vagina.oq pode ser?

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  8. Sônia, minha mãe te amava e usou muito do ensinamento dos seus livros na minha criação e da minha irmã, devo muito da minha saúde à você!
    Essa semana fui diagnosticada com bartonilite aguda e já estou imersa em 10 dias de antibióticos de 12 em 12 horas, além do anti-inflamatório, que foi a atenção que consegui receber de um cirurgião geral, mas ele me encaminhou para o ginecologista e amanhã vou tentar uma consulta.
    Me chamou a atenção essa coisa de ‘cisto sebáceo’ na vagina daqui dessa postagem porque eu também observei coisa parecida com essa em mim. Percebi que as vezes que apareceram essas ‘verrugas’ foram depois de menstruar (eu ainda uso o absorvente comum). Um vez tive medo de serem verrugas de HPV e fui numa ginecologista, ele me disse que não era HPV, que era normal que algumas glândulas da vulva ficassem assim inchadas, geralmente estava mais ligado a baixas imunológicas e sói.
    Fiquei desesperada quando o que eu pensada que fosse um pelo encravado no meu grande lábio foi diagnosticado como uma infecção da Glândula de Bartholini, uma glândula tão importante, tão especial, acho que isso me entristeceu mais ainda.
    O problema é o seguinte: os médicos não explicam as coisas direito pra gente, nem antes nem depois de alguma doença, na internet as informações são pavorosas (que a infecção da glândula pode sempre voltar e que a cirurgia pra drenar é quase obrigatória ou até mesmo a extração da glândula, e o pior, que pelo SUS esse tipo de cirurgia é muito difícil de conseguir.
    Tudo o que li sobre as possíveis causas batem: estou emocionalmente abalada (um ano de luto da perda da minha mãe), tenho uma alimentação ruim, sou sedentária. cometi os erros de sexo anal e sexo vaginal, pendurei calcinha pra secar no banheiro, usei banheiro sujo, lavei muito a vulva com sabão de coco, etc.
    minha pegunta: o que fazer? o que fazer pra não voltar a ter isso? ou pra não precisar fazer cirurgia? onde saber mais sobre a glândula de Bartholini?

    Abraço!

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