Conversa sobre a macrobiótica

Recebo e-mail de Teresa Belo, Lisboa:

Aproveito para colocar uma questão relativamente à alimentação, eu sou macrobiótica num regime não muito rígido mas, como tal tento limitar o consumo dos alimentos mais Yin, especialmente os de origem tropical. Qual é a opinião da Sónia sobre estas limitações? E na sua opinião quais as adaptações que devo introduzir às suas receitas?

Desculpe a pergunta mas como estamos em climas diferentes, em hemisférios diferentes, … e como não tinha tido ainda a oportunidade de dialogar com alguém desse lado do mundo sobre esta matéria quis aproveitar…

Respondo:

Acho muito apropriada a restrição que a macrobiótica faz ao que considera muito yin, que são as frutas, certos vegetais e preparados doces em geral. Mas também não precisa levar a extremos, e esse é o aprendizado. A base da minha alimentação (e do meu estudo) é a macrô e, ao longo dos anos, tenho tido oportunidade de confirmar o acerto dessas restrições – como? Comendo o proibido. E percebendo sua ação no meu corpo.

Claro que devem ser levadas em conta as diferenças pessoais. Alguém que tenha muita atividade física pode se equilibrar com frutas ou sucos, especialmente num dia quente, enquanto alguém que trabalha em escritório com ar refrigerado pode se resfriar por causa do mesmo suco.

Minha opinião hoje é que se deve limitar também a quantidade de cereais integrais e consumir mais vegetais frescos e coloridos, sempre com uma pequena porção de produto animal. Por quê? Porque vivemos num mundo cheio de cargas eletromagnéticas, sujeitos o tempo todo a influências energéticas estressantes e pessoas estressadas, e um pouco mais de energia animal nos ajuda a criar solidez, fornecendo inclusive vitamina B12 para o sistema nervoso. A macrô prevê isso como 5 a 15% do prato. Considero correto.

A redução dos cereais ajuda a equilibrar uma refeição que inclui proteína animal e ao mesmo tempo evita o estado de inflamação crônica produzido pelo excesso de carboidratos. Quanto mais carboidrato se ingere, mais o corpo pede.

Muito cuidado com a soja, que é imprópria para consumo se não for fermentada. Tofu, uma ou duas vezes por mês. (Você pode ler mais sobre a soja em http://www.correcotia.com/extras .)

Pedi licença para reproduzir a conversa aqui e ela deu. 🙂 Valeu, Teresa!

12 comentários em Conversa sobre a macrobiótica

  1. Ola bençaos a todos , eu ja fiz uma alimentaçao macro nos anos 90 ma seu ficava muito amarelo e palido, hoje estou acima do peso o extremo.GHostaria de ter uma orientaçao alimentar onde posso conseguir?M edou muito bem com os naturais hoje como carne tambem.
    Com amor
    Eugenio carlos

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  2. Oi Sonia, que assunto bacana, me diz o que vc acha por favor, quando se refere a comer uma pequena quantidade de produto animal, podemos considerar ovo tambem e em que quantidade por semana? obrigado, abraços

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  3. Sônia, é verdade que o inhame ajuda a mulher a fazer a reposição hormonal na menopausa? eu já faço uso do óleo de prímula e também da semente de linhaça germinada.Um grande abraço!

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  4. Michio Kushi, um dos grandes mestres da macrô, sempre disse que cada um deve comer de acordo com seu sonho. Para isso é preciso sonhar…

    Eugenio, se você está muito acima do peso precisa consultar um(a) nutricionista ou dietologista que o ajude a equilibrar-se; também recomendo enfaticamente uma vermifugação completa, porque a compulsão alimentar tem muito a ver com vermes.

    Fátima, o inhame selvagem do México, da família Dioscorea, realmente ajuda a superar os calores e as folhas de amoreira também. Parece que o inhame taro, da familia Colocasia, tem efeito semelhante.

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  5. Oi, Syl, ovo caipira dá para comer com frequência, quase todo dia. É o melhor produto animal disponível em muitos lugares.

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  6. nossa que boa noticia sonia, obrigado, lá vou eu pra granja!
    beijos

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  7. sonia, me ajude! quero entender: se os orientais ingerem tanto tofu, será q faz mal mesmo? eu gosto tanto naquele caldinho de missÔ…bj, rosamaria

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  8. Oi, Rosamaria, em primeiro lugar os orientais não ingerem tanto tofu assim; em segundo, cada um é livre para fazer o que quiser, né não? Não precisa pedir licença…

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  9. Oi Sonia,
    Estou lendo meus presente de natal :0). Já li o deixa sair e agora estou devorando o só para mulheres. Pelo que tenho te acompanhado e este post dá esta impressão, você mudou um pouco a sua opinião com relação a certos alimentos. Vejo que nesses dois livros vocÊ recomenda o tofu com bastante frequência, o que me soa bastante estranho, pois sei o que você pensa sobre o consumo da soja. Carne também. Nesses dois livros parece que você ainda torce o nariz para elas, mas agora já vejo que abre exceções. Sou carnívora e não sei por onde começar a diminuir o consumo. Estava reparando na minha dieta e tudo que como está ligado de alguma maneira a carnes, laticínios, farinha refinada, açucares. Como mudar?

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  10. Oi, Bia, o Deixa sair tem 25 anos de idade, e naquela época o tofu era uma boa alternativa quando batia a saudade dos queijos. Nem se encontrava com facilidade. Depois do lobby soja-em-tudo foi preciso abrir mais olhos com relação ao perigo do consumo frequente e indiscriminado. Mas na dieta do livro o tofu continua valendo.

    Sobre a carne, há alguns anos ela se tornou mais presente para mim, e os carboidratos, menos. Tem a ver com idade e glicose. Como menos arroz e mais produtos animais – com muuuitos vegetais.

    Acho que a mudança começa por aí – ir reduzindo os excessos de carnes, laticínios, farinhas e açúcar enquanto aumenta a quantidade e a frequência de folhas verdes e vegetais frescos. É uma ampliação do universo alimentar, procurando uma harmonia entre os alimentos de energia mais concentrada (animais) e os mais coloridos, aquosos, leves, sutís (vegetais).

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  11. Olá Sonia! Tenho acompanhado seu blog há um tempinho, mas ainda não tinha enviado/perguntado nada, mas agora sestou numa dúvida quanto ao shoyo. Será que você sabe me indicar um que seja produzido por fermentação natural? Obriga.da

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  12. Oi, Gabi, eu gosto do Daimaru, bom e de preço acessível. Existe um importado pela Ecobrás, muito bom, e o melhor de todos é produzido artesanalmente numa comunidade macrô e vendido no restaurante Satori, em SP.

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