Eu sou responsável por mim e pela minha saúde

Continuando o papo, este é o aspecto mais interessante da filosofia macrobiótica: ela vem carregada de conhecimentos herdados da medicina tradicional chinesa e japonesa, que sempre achou muito mais fácil, prático e barato preservar a saúde do que tratar de doenças.

Na China antiga, o médico era pago por mês para manter os pacientes saudáveis. Ia à casa das pessoas verificar se havia umidade ou corrente de ar, se as camas estavam em posições adequadas, se a comida era bem feita. Vistoriava a higiene dos aposentos, do entorno e das pessoas. Se houvesse o que medicar, deixava as ervas e poções. Quando um paciente adoecia, parava de pagar. Quando morria, o médico era obrigado a colocar uma lanterna na porta de casa como testemunha de sua negligência.

Muito diferente? Muito. Mas na França de hoje também é diferente. Os médicos pagos pelo governo vão à casa do paciente, ou ao hotel, se você estiver lá como turista. Aconteceu com meu companheiro nos anos 80: comeu patê demais, com muito vinho bom, e no meio da noite estava em cólicas. O médico, chamado pelo hotel, chegou em meia hora. Examinou, injetou a primeira medicação, recomendou repouso e dieta e ninguém pagou nada.

Muito diferente. Mas aqui no Brasil também existem diferenças. Quem se trata com homeopatia e acupuntura frequenta o médico para não ficar doente. Os pequenos desequilíbrios são vistos como tal. Os exames contemplam a pessoa com seu corpo e sua mente, não um papel cheio de códigos indecifráveis que levarão a contas caríssimas.

Um bom macrô, que só é bom se não for radical, lê uns tantos livros de Michio Kushi e Tomio Kikuchi e acaba aprendendo que funcionamos grosso modo com cinco órgãos – fígado, pulmões, rins, coração e o chamado baço-pâncreas, acoplados a cinco vísceras – vesícula biliar, intestino grosso, bexiga, intestino delgado e estômago, respectivamente. Entende as emoções ligadas a eles e também os principais distúrbios. Assim começa a se observar e seu autoconhecimento prospera. Com isso ele se torna mais livre.

Nenhuma outra linha de alimentação oferece esse universo de conhecimento.

12 comentários em Eu sou responsável por mim e pela minha saúde

  1. Oi, Sônia!
    Tenhos alguns livros teus que adquiri nas lojinhas de produtos naturais aqui da ilha. Descobri há poucos dias esse teu blog (já vi tudo), e mesmo sendo dessa geração net, ainda acho incrível esse jeito de se comunicar, de modo tão expresso e eficaz… Principalmente por boas razões! E aproveitando o assunto desse post, gostaria de te fazer uma pergunta que é um tanto controversa: No meu caso tenho miopia (8 graus!) e li no único livro que tenho do Sakurazawa Nyoiti, “Sois todos sanpaku”, que esse problema é uma doença, e não uma hereditariedade como os oftalmologistas ocidentais afirmam… Será que fazendo o regime do arroz, com nabo daikon e gersal, existe a possibilidade de reverter esse meu excesso de yin? Ainda não tive coragem, principalmente por falta de grana, pois como se manter ativo na sociedade e comer só arroz!? Ai, ai… desculpa ser mais uma que te escreve para pedir conselhos, mas tua simplicidade faz parecer possível falar com uma pessoa tão sábia!!

    Cinthia, 22 anos, Florianópolis.

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  2. Tava revendo a pergunta e vendo que foi bem egocêntrica né!? Tenho… Meu… Rsrs Na verdade era pra levantar a questão das doenças em geral, e se tu achas seguro? Sônia, desde já Obrigada por tudo… Paz e Graça!

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  3. Oi, Cinthia, esse papo de sampaku é pra valer, mas a forma de sair disso pode variar.

    Eu já fico achando que você pode ter vermes, e certamente se alimenta com muita fruta, pão, doces. Né não? Se melhorar a dieta e começar a tratar os vermes (tem coisas novas lá no post deles), periga melhorar muito!

    Mas não pode ser nem um pouquinho hereditário?

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  4. Seu blog é o máximo Sônia!!!! Quero comprar seu livro.
    Adoro estes assuntos.
    Por favor, vc saberia me informar como extrair o oleo de coco me casa? Sei que tem um texto seu que tem a receita, mas se colocar daquele jeito no banho maria não perde as propriedades? Devo bater a polpa do coco no liquidificador e deixar de molho para poder extrair o leite?
    Aguardo sua resposta e parabéns pelas informações!!!!
    bj
    Vivi
    vivicarttori@yahoo.com.br

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  5. Estou juntando informação sobre o óleo virgem de coco para botar no blog dentro de alguns dias. Se você lê inglês, vá em http://www.tropicaltraditions.com/what_is_virgin_coconut_oil.htm e veja como é o processo de extração a frio.

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  6. sônia, estou tentando descobrir onde comprar ameixa umebushi. Aqui onde moro (interior de Minas Gerais) não encontro. Já usei a ameixa e realmente fez um bem enorme, mas perdi o contato com o comprador em B H. Já procurei na internet e só encontrei em uma loja, mas pela ilustração, achei as ameixas bem diferentes daquelas que já conheço. Se possível indique algum contato para que eu possa adquirí-la. Ficaria imensamente grata.
    Lucrécia

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  7. Oi, Lucrecia, tente em http://www.casabueno.com.br. Eles comercializam várias marcas. Peça uma que tem somente ume verde, shisso e sal e nem tem marca, é do produtor rural número P-0324.00360/000 .

    Só não sabemos se a conserva está madura; como ela deve curtir por 1,5 ano antes de se tornar medicinal, compre bastante e guarda. A data de validade no rótulo é apenas uma ironia, já que quanto mais velha, melhor. Ainda tenho uma que preparei em 1987. Abração!

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  8. Sônia,
    Ganhei de presente de minha mãe o seu Livre Almanaque de Bichos que dão em Gente, ainda em 99. Na ocasião, utilizei algumas receitas. depois ele ficou numa prateleira. Recentemente o resgatei e verificando a receita da macrobiótica, vc fala do consumo de arroz integral cru, em jejum.
    Gostraia de lhe perguntar sobre a possibilidade de ingerí-lo após torrá-lo levemente, numa frigideira teflon até ficar levemente amarelo, antes que ele vire “pipoca”.
    É possível ou altero a química do arroz?
    E quanto a água de arroz integral, costumo ferver um punhado de arroz em água e depois bebo a água e coloco o arroz numa sopa?
    Aguardo resposta no seu Blog.
    Virgínia Ferraz

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  9. Oi, Virgínia, às vezes um detalhe modifica a eficácia da receita. O arroz integral tostado (na teflon não, pelamordedeus, veja post sobre panelas aqui no blog) serve para fazer farinha de arroz, o amido se transforma em dextrina e tudo fica mais leve. É melhor para mastigar. Mas a receita diz claramente arroz integral CRU, e deve ter suas razões.

    Sobre beber a água de arroz como chá, é um costume asiático. Dizem que nutre. Por que não?

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  10. Sônia,
    Valeu a dica. Terei mais cuidado ao escolher a panela.
    Adorei conhecer o seu blog. estarei de olho nas dicas.
    Bjs.
    Virgínia

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  11. Oi Sonia por favor, poderia explicar melhor sobre comer arroz integrau cru, ´pois estou muito interessada em faze-lo!!!
    Obrigada.
    Rose

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  12. Oi, Rose, é muito simples: você acorda, vai à cozinha, pega um punhado de arroz (o que couber na sua mão fechada) e mastiga bem, se tiver dentes fortes. Se não tiver, deixe de molho esse punhado de arroz na véspera, em água filtrada suficiente só para cobrir os grãos. Mastiga bastante, pra fazer saliva, e engole. Uma hora mais tarde toma um chá forte de losna ou artemísia. Repete durante uma semana, para uma semana, volta a fazer. É só isso. Abração!

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