ATCHIIIM!

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Por que essa mania de dizer que todas as coisas ruins vêm de fora?

Não se deixe iludir, amado leitor: gripes, resfriados e alergias só acontecem porque estamos vivos e o corpo sabe se defender melhor do que a gente pensa. Para isso usa um tapetinho ondulante de células ciliadas que recobre inteiramente as vias respiratórias e trata de expulsar o que incomoda. Se em algum momento o nariz, a garganta e a vida ficam nojentos, encatarrados, é porque o corpo precisa deixar sair aquilo que, por alguma razão, acumulou. Sabe o lodo que dá em superfícies úmidas? Pois então. Experimente não limpar.

Respirar nos define biologicamente. Respiramos 18 mil vezes por dia, ou mais. Não podemos viver sem ar. Com ele vem o que dá vida às células, com ele sai o que as células descartam.

Nos pulmões é que acontece a troca, depois de um percurso sosticado que se dá em caminhos paralelos, cada qual ligado a um dos pulmões. O ar entra pelas narinas, atravessa as válvulas nasais (que podem ser tocadas com a ponta do dedo), passa pelos receptores de olfato que cam no alto da estrutura dianteira e descem pela parte traseira percorrendo as torneadíssimas conchas nasais até as cavernas úmidas e gosmentas, não por acaso chamadas fossas, para onde os sínus drenam o esgotinho deles, tudo ali por cima do céu da boca. Segue então o ar por um trecho da faringe, desce pela laringe, penetra a traquéia, inunda os dois brônquios e uma série de bronquíolos e chega enm aos pulmões, isto é, aos alvéolos, minúsculas bolhas de membranas níssimas que formam o tecido pulmonar. Pronto. Entrega oxigênio, recebe dióxido de carbono e volta pelo mesmo caminho.

Inspira, expira. Esse percurso aquece, umedece e filtra o ar.

Que pode estar gelado na atmosfera, mas chega aos pulmões na temperatura corporal e faz até fumacinha quando expirado de volta no ar mais frio.

Pode ser um ar muito seco, mas a umidade produzida pelas células secretoras em toda a extensão das mucosas vai entregá-lo à superfície dos alvéolos saturado de vapor de água.

Pode ser um ar sujo, cheio de poeira, resíduos e micróbios que não devem entrar nos tecidos sensíveis dos pulmões. E o que acontece? O ar chega lá limpo, graças ao tapetinho.

O tal do tapetinho é uma bênção. Funciona assim: o muco, grudento e viscoso, prende as partículas indesejáveis e as leva para fora pelo movimento contínuo dos cílios. Já enfiou o dedo no nariz? Sentiu os pelinhos? Observou a meleca? Pois então.

Em condições normais, essa secreção é fina e clara e escorre naturalmente das fossas nasais para a garganta, o tempo todo, sendo engolida sem passar pela boca. No estômago será dissolvida pelo suco gástrico.

Em condições anormais, porém, o muco engrossa, se espalha pelo caminho, ocupa nariz e garganta, entope os sínus. A umidade espessa reina no interior da cabeça, que pesa, e a vítima se sente mal, congestionada, abafada.

O que engrossou a umidade: a presença de substâncias alimentares não digeridas, cujo destino normal é serem descartadas no bueiro nasogástrico.

Mas o que é exatamente o muco?

A princípio é apenas um fluido viscoso composto de água, células epiteliais (vindas da própria mucosa), leucócitos usados (nossos agentes de defesa), sais inorgânicos e mucina, ou mucoproteína, uma combinação de aminoácidos tipicamente encontrada na clara de ovo, na saliva, em cartilagens e no líquido sinovial que lubrica juntas e tendões.

Acontece que o muco sofre modicações nos diversos estados de saúde e doença, e a maior ou menor presença de muco, bem como as variações de sua composição, tem um signicado especial.

A medicina tradicional chinesa sempre leva em conta o estado de umidade no interior do corpo. Umidade excessiva e muco andam juntos. Alterações externas, como chuva, vento e frio, podem causar alterações internas. Alimentos que aumentam a umidade geralmente aumentam o muco.

Textos antigos de medicina tradicional da Índia e do Tibete explicam que ele desempenha um papel importante no funcionamento do corpo e é considerado uma forma de kapha, termo que se refere a tudo quanto é substancial, sólido e pesado no sistema corporal.

Kapha é um dos três tipos de energia da tridosha, sistema de energia básico do ayurveda; os dois outros são vatta e pitta. Vatta descreve o vento e a energia que sobe, pitta é o fogo e a energia em expansão. Kapha é terra, a energia que pesa.

– Nessa visão, as comidas que dão solidez ao corpo são predominantemente kapha – diz Rudolph Ballentine em seu livro Diet and Nutrition. – Quando essa substância pesada e material é mal assimilada pelo sistema digestivo, precisa ser eliminada como refugo. Esse refugo também é chamado kapha e corresponde ao muco com o qual estamos familiarizados. Faz sentido, portanto, esperar que quando a comida não é bem digerida, ou seja, quando uma grande porção dela não tem função nutricional e precisa ser descartada, a produção de muco aumente – continua Ballentine.

– Embora do ponto de vista da pesquisa médica ocidental isso possa soar bizarro, da perspectiva da fisiologia oriental é apenas questão de bom senso. Alimentos fracos e má digestão, juntos, vão comprometer a capacidade da pessoa em usar a comida para obter energia e construir tecidos, e dessa forma criarão um fluxo de muco maior. É fundamental removê-lo.

Ou seja: o muco é não somente uma secreção, mas também uma excreção. A diferença entre elas é que secreção é algo que o corpo fabrica porque é benéfico, enquanto excreção, ao contrário, é algo de que estamos querendo nos livrar.

O resfriado, a tosse e a gripe são a grande manobra de escape do corpo quando ele não consegue mais lidar com a situação.

Olho nele. Se o muco ficar grosso ou viscoso demais, vai secar com facilidade, grudar na membrana mucosa, criar crostas e virar criatório de bactérias, fungos e parasitas de toda espécie, já que tem nutrientes para alimentá-los. Mas se ficar muito líquido, escorrendo, com baixa viscosidade, os cílios não terão como movê-lo e ele também não será capaz de agarrar impurezas e micróbios. Enquanto o nariz pinga água, ou não respira, as mucosas estão desprotegidas, irritadas e inflamadas, sujeitas a assédio pelos mais diversos tipos de micróbios.

E por que pinga? Porque os sínus estão tentando limpar o sistema e gastam de 1 a 2 litros de água por dia nessa função. Quanto maior a diculdade digestiva, maior o varre-varre e o pinga-pinga.

Não é só. Roncos e outros ruídos respiratórios também indicam resíduos criando obstáculo. E remela nos olhos é um tipo de meleca que sobra, seja ela mole ou cristalizada.

(texto extraído do novo Atchiiim!)

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Quente ou frio?

Ao perceber um resfriado chegando – mal-estar, dor de cabeça, moleza, espirro – é bom saber se ele é frio ou quente. O quente se trata com chás de natureza fresca, o frio com os de natureza morna.

São de natureza fresca: assa-peixe, tanchagem, hortelã, poejo, camomila, raiz-de-lótus fresca.

São de natureza morna: canela, cravo, feno-grego, funcho, cominho, alho, raiz-de-lótus seca, cúrcuma, alecrim, gengibre fresco

Gripe quente

Quando a vítima está muito seca, queixando-se de calor e com catarro grosso, vai se sentir melhor bebendo água fresca ou quente com gotas de limão, de golinho em golinho, ou chá de hortelã com 1 colherinha de mel. Não deve comer nada assado ou frito, só caldos e canja, ambos bem quentes. O calor vai fazê-la suar e assim refrescar a pele, que por sua vez refrescará os órgãos internos.

Gripe fria

Quem tem sintomas de frio não deveria comer frutas e vegetais crus, só cozidos. Comida quente aquece a digestão. Digerir bem é essencial para nutrir o corpo e reduzir o muco. Também seria bom beber água e chá quentes. Uma garrafinha térmica pode fazer milagres.

De onde vem o muco?

O que escorre do nariz e vira catarro é um excesso que o corpo está eliminando. Tem a ver com descuidos alimentares, má digestão, comida imprópria, toxinas. Também tem a ver com cansaço, portanto… descanse!

Ele derrete!

Ingrid Naiman, em www.kitchendoctor.com, conta que aprendeu a entender o muco como uma cera que congestiona, pressiona, inflama, dói – mas derrete quando lhe damos fogo, por exemplo nos caldos apimentados e chás de ervas e especiarias quentes.

Mel é bom?

O mel ajuda a dissolver catarro. Dois bons xaropes: cebola com mel e abacaxi com mel. Cortar em rodelas, cobrir com mel, deixar uma noite, tomar de colherinha. Dose máxima de mel por dia: 4 a 5 colherinhas (chá).

Lavar o nariz

com água morna salgada, 2 a 3 vezes por dia, usando um conta-gotas ou similar, elimina micróbios que complicam resfriados, gripes, sinusites, etc. Medida: 1 colher (chá) de sal em um copo de água morna.

Inalação é bom?

Só se o clima estiver seco, explica Carla Saboya. Em clima úmido, considera mais eficiente queimar folhas secas de capim-limão pela casa, soltando a fumaça nos cantos e até dentro dos armários.

Tem dieta para gripe?

Tem: comida de gripe é aquela velha canja tradicional brasileira que veio da China e da Índia junto com os marinheiros, nas caravelas. O arroz, branco ou integral, deve ser cozido em bastante água por 3 horas, no mínimo. Quanto mais cozinhar, melhor fica. Se galinha caipira houver, cozinhar junto até ela desmanchar; caldo de galinha ajuda a dissolver muco. Temperar com alho, cebola, aipo, alho-poró, pimenta, azeite extravirgem, pouco sal ou shoyu, salsinha, hortelã. Tomar essa canja à vontade até melhorar.

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